quarta-feira, 18 de julho de 2012

O direito de amar (2009)


 Ponha Colin Firth (O discurso do rei), Julianne Moore (Minhas mães e meu pai), Nicholas Hoult (Skins) e Tom Ford (dos óculos de sol, perfumes e bolsas) no mesmo balaio. O que sai: um desfile? Uma campanha publicitária? Não mesmo, sai um ótimo filme!
Essa combinação inusitada com que hollywood nos brindou rendeu um drama daqueles, arrebatador. Baseado na obra A single man, de Christopher Isherwood, o filme traz às telas a história de George (Colin Firth), um professor universitário obstinado a suicidar-se antes que termine o dia, pois não encontra mais forças para suportar a falta do companheiro de anos Jim (Matthew Goode), que viu morrer tragicamente no ano anterior. Resignado à solidão silenciosa, ao longo do dia George encontra apoio na melhor amiga Charley (Julianne Moore), que nutre uma intensa paixão por ele, além de inesperada alegria na admiração misturada a desejo que seu aluno Kenny (Nicholas Hoult) ostenta pelo mestre.

 A atuação de Colin Firth está arrasadora neste filme. Acostumado a ser recrutado para papéis de bom moço, sempre tímidos e sisudos, Colin surpreendeu ao mostrar uma nova faceta, muito mais sensível e expressiva, seja quando sofre pela perda do amado, seja quando flerta despreocupadamente com o seu tentador aluno. Há uma dor latente no cotidiano de George (Colin),  que marginalizado por sua opção sexual em plenos anos 60, briga com sua vontade de recomeçar a vida justo por seu esforço em tentar suprimir a dor a todo custo, enquanto assiste a sociedade negar até o seu direito ao luto. Em meio a tanta carga emocional, Colin se mostrou brilhante ao retratar com suavidade a vida deste professor dividido entre a dor que não mais suporta e os sopros de alegrias que a vida insiste em lhe dar.




O direito de amar é um filme bonito não somente pela sensibilidade da história, mas em muitos aspectos. Vindo direto do mundo da moda, Tom Ford fez questão de retratar os anos 60 com a máxima expressividade estética, com figurinos de fazer inveja a Balenciaga e Saint Laurent em sua fase áurea. Em muitas cenas, o estilista aliou o plano de fundo ao figurino dos atores, manejando suas posturas de forma a produzir quase um ensaio fotográfico, visualmente belo e de qualidade impressionante.  



Outra atuação marcante foi da sempre penetrante Julianne Moore, na pele de Charley, a melhor amiga de George (Firth) cuja vida frustrada a faz pensar que a paixão que nutre por ele é o único sentimento válido que ainda possui. Se George é o contraponto ao estereótipo do homossexual de trejeitos exagerados, Charley ( Julianne Moore) é oposto a dona-de-casa feliz e perfeita, uma imagem tão difundida nos anos 60 para justificar culturalmente a submissão feminina. Bonita e rica, Charley padece da mesma solidão que o amigo, sem a justificativa de que sua família esteja fisicamente falecida.




Mas um ator que rouba a cena definitivamente é Nicholas Hoult, o talentoso Tom da séria britânica Skins. Na pele de Kenny, um aluno cuja admiração pelo carisma do professor George transborda, ele tentará dissuadir o mestre da idéia de viver apenas em angústia, arrebatando George com a audácia e a jovialidade que ele conheceu um dia no amante perdido. 


 São muitos os motivos que fazem de O direito de amar um filme que mereça ser visto. Principalmente porque a beleza de amar e a dor da perda são duas coisas de que ninguém pode (nem deve) fugir, seja nos EUA dos anos dourados ou aqui e agora.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Biutiful (2010)



Não, eu não escrevi errado o título. Bonito, pelo menos nesse filme, é escrito assim mesmo, "biutiful", como se lê. Não que o roteirista não conheça a língua inglesa, mas é que o filme fala de beleza tal qual escreve a palavra, deturpada, ainda que reconhecível. O protagonista Uxbal, cuja interpretação rendeu uma indicação ao Oscar para Javier Bardem, descobre um câncer terminal que lhe deixará vivo por apenas alguns meses. Diante da notícia, ele tenta a todo custo garantir a felicidade de seu casal de filhos, cuja mãe bipolar e alcoólatra transita entre o abandono total da família e a paixão que Uxbal ainda nutre por ela, ao mesmo tempo em que gerencia seu ganha-pão: o tráfico (ilegal) de chineses e africanos para o trabalho nas fábricas e construção civil da Argentina.

O filme é extremamente simbólico, do tipo que fala direto ao inconsciente e nos prende ao paradoxo de saber que gostamos da obra, sem sermos capazes de descrever o porquê; as mensagens que vi neste filme povoaram meus pensamentos por dias a fio. Uxbal possui o dom de conversar com os mortos, por isso conhece como ninguém o que o aguarda do outro lado. Ainda assim, não se vê preparado para partir, de tal maneira está organizada sua vida que todos parecem depender de sua existência: os filhos, a esposa, os chineses e africanos que trafica.


Quando alguns desses estrangeiros são presos vendendo drogas nas ruas, Uxbal acolhe a mulher de um deles, e seu bebê, depositando nela as esperanças sobre o futuro de seus filhos, mas se ela está ao seu lado ou não permanece um mistério. A fronteira entre a vida e a morte é a temática central desta história, ao destrinchar a vida de um homem marginalizado cuja sensibilidade é sua coroa de espinhos e redenção.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

We need to talk about Kevin (2011)

Ontem fui assistir ao último filme da mostra "Um Livro, Um Filme", do SESC Botafogo, que se propunha a exibir filmes baseados em livros, sucedidos por um debate informal com um jornalista, escritor ou poeta, e a platéia. Aproveitei para assistir "We need to talk about Kevin", que estava na minha lista de desejos desde que soube de sua nomeação pra Palma de Ouro em Cannes, e de brinde participei da discussão com Arnaldo Bloch, escritor e blogueiro do Globo.com, que foi ótimo por sinal, assim como o filme.
A premissa é extremamente intrigante: baseado no livro homônimo de Lionel Shriver, conta a história de uma mãe que tenta a todo custo entender o que levou seu filho adolescente a provocar uma chacina na escola em que frequenta, enquanto se esforça pra não enlouquecer frente ao ódio que restou em toda a cidade. Mas o que realmente me surpreendeu no filme foi a abordagem não convencional do assunto: pra começar, a ótica é sempre da mãe, uma atuação perfeita de Tilda Swinton, sem a menor pretensão de mostrar (ou teria sido escondido de propósito?) o que se passa na cabeça de Kevin (Ezra Miller), se ele é um
psicopata doente, uma mente maldosa ou só um adolescente carente de atenção, e sim como isso afeta sua progenitora. Isto posto, o filme poderia facilmente descambar para um drama moralizante exagerado, ou para um terror psicológico puro, mas não; por meio de uma trilha sonora composta basicamente de folk e country americano, totalmente dissonante da da tensão das cenas em geral, a diretora Lynne Ramsay compõe uma relação seca entre mãe e filho, que são mais parecidos do que são capazes de discernir, ou aceitar. Por exemplo, na cena em que Kevin atira em seus colegas, ao invés de gritos, ouvimos apenas o gospel "Mother's Last Word To Her Son", de Washington Phillips, em que os versos "You are leaving, my darling boy/ You always have been your mother's joy" antecipam a reação da
mãe ao descobrir no filho um assassino; embora não tivesse sequer certeza se o amava, ou se era amada por ele, ela passaria a ser sua única visita na prisão pelos próximos anos.
A estrutura é circular; acompanhamos a personagem de Tilda repassar mentalmente o assassinato inúmeras vezes, entremeado por cenas de um Kevin adolescente cruel e provocativo, abrandado por um Kevin criança ora doce e carente (principalmente com o pai), ora traquinas a ponto de ser maldoso. Isto nos leva a perguntar, assim como a mãe se pergunta a todo momento, quanto do assassino sempre esteve escondido dentro daquela criança, ou se ela teria o poder de pará-lo se tivesse interpretado suas intenções mais claramente. Enfim, um filme imperdível sobre como os pais nunca conhecem de verdade seus filhos , sejam eles crianças boas ou más, sobre tudo o que precisa ser dito mas permanece lacrado silenciosamente por um pacto tácito no seio da família. Fica a dica também do livro, de que ouvi falar muito bem no debate e que com certeza lerei em breve.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Um dia (One day)

Pra começar, adorei o cartaz! Podia passar o post inteiro falando de como ficou expressiva a fotografia, e o beijo apressado. Mas não é esse o objetivo, não é mesmo? Então falemos do filme.
Convidei uma amiga pra me acompanhar na sessão, a pretexto de rir com mais uma comédia romântica num dia de semana em que não tivesse nada melhor pra fazer. Pra variar, cheguei no cinema no limite dos traillers. Quando entregávamos os bilhetes, numa dessas conversas ocasionais que às vezes travamos com atendentes em geral, a "lanterninha" nos alertou que era melhor entrar logo pra não perder nada. Minha amiga perguntou se quem saía da sessão falava bem do filme, no que ela respondeu "sai todo mundo chorando". Chorando?!
Por conta dessa, fui ouvindo minha amiga reclamar que eu a tinha chamado para uma comédia romântica, choro não estava no pacote, até que finalmente nos sentássemos. E pra ser sincera, eu chorei, e muito! E ela também, embora ao ler isso ela agradeça por ter a identidade preservada neste post.
O filme é carregado de emoção. Romance puro, adaptado do livro homônimo de David Nichols, que também foi responsável pelo roteiro pras telas. Mas também consegue ser bem divertido,
na verdade, com um tipo de humor rápido e inteligente, que os antigos chamariam de "espirituoso". A tristeza é apenas o arremate de toda grande história de amor, Vinícius de Moraes que o diga. Logo no começo nos apaixonamos pelos personagens, o que é justo a proposta do filme, que passa a maior parte do tempo com apenas duas pessoas em cena: Dexter (Jim Sturgess), o garoto rico e mimado, e Emma (Anne Hathaway), a moça inteligente e inconsciente do próprio valor. Eles se conheceram na faculdade, tendo suas vidas cruzadas na noite de formatura, um 15 de julho de final dos anos 80. Dali pra frente, o filme acompanha durante mais de 20 anos sempre o dia 15 de julho de ambos, e apenas este dia. Em flashs, os personagens amadurecem em frente a nossos olhos, seus desejos mudam, os cabelos vão
ficando grisalhos... apenas a sua amizade permanece a mesma, congelada pela insegurança de ambos em acreditar que podem um dia compartilhar um relacionamento amoroso. Mais do que a história deles dois até, há momentos em que o filme deixa claro como as atitudes de insegurança e acomodação podem atrasar a vida de alguém.
Vou parando por aqui porque contar mais seria um pecado!
Fica a dica de um filme tocante, que merece ser visto a qualquer tempo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Filme da semana: Meia noite em Paris (2011)



Que tal falarmos de um filme que está em cartaz, pra variar? Digo isso porque a escolha de hoje vai para um filme que fala de magia, quase uma fábula. E filme que fale de magia tem que ser visto no cinema, concordam? Até moral encontramos nesta maravilhosa pérola do premiado diretor, escritor, roteirista, ator e expert em comportamento humano, Mr. Woody Allen. Como qualquer outro gênio cult, Woody sofre do estigma de ser citado em qualquer conversa de bar de esquina de Botafogo (RJ), e, embora haja quem prefira chamâ-lo de criador neurótico de diálogos chatos, eu fico com o encanto provocado pela universalidade de seus personagens, pessoas comuns com percepções comuns sobre o mundo, confrontando a si mesmos quando postos em situações extraordinárias. Na verdade, penso que essa seja a chave do sucesso de Woody. A forma como é fácil se identificar com seus personagens no plano mundano faz-nos imaginar como seria se deixar seduzir pela proposta que Woody Allen faz ao personagem. Foi assim com Vicky Cristina Barcelona ( o que você faria se um atraente pintor espanhol lhe convidasse para um final de semana de amor e vinho no meio de suas férias de verão na Espanha?), e foi ainda melhor em Meia Noite em Paris. Quando o roteirista aspirante a escritor Gil (Owen Wilson) se deparou com uma carro modelo 1920 em plena noite da Paris atual, o que ele fez? Pegou carona, oras! E assim tem-se início a viagem no tempo mais impressionante que se viu no cinema dos últimos anos. Longe de apresentar inadequação à era passada, Gil familiariza-se com grandes nomes das artes, como Dali ( Adrien Brody, im-pa-gá-vel), Hemingway (Corey Stoll), Gertrude Stein (Kathy Bates) e o espirituoso casal Fitzgerald (Tom Hiddleston e Alison Pill), mais conhecido pelos barracos familiares retratados em suas obras do que pela qualidade literária das mesmas. Mas quem mais impressionou o jovem roteirista é a dançarina Adriana (Marion Cotillard), que assim como o rapaz nutre uma nostálgica paixão pelos tempos passados, para ela o fim do século 20, la Belle Époque. Enquanto ele lhe fala que não poderia estar mais feliz vivendo nos anos 20, ela replica que nada se compara à boêmia dos anos idos da Paris de outrora. Taí a primeira lição de moral do filme: quando você reclamar que antes a vida era mais bonita, ou mais fácil, lembre-se que as pessoas que viveram na época que você tanto admira também fizeram as mesmas reclamações, então, que tal perder um pouco menos de tempo com isso da próxima vez e aproveitar um pouco mais o presente? A espontaneidade da paixão que surge entre Gil e Adriana, ponto forte desta comédia romântica, é um belíssimo contraponto à dissonância que rege seu relacionamento com a noiva Inez (Rachel McAdams), mais interessada em gastar pelas lojas ou badalar noite a fora do que aproveitar a companhia de seu futuro marido. Sem contar o seu odiável círculo íntimo, composto de pais e amigos que desprezam enfatica e repetidamente o desejo de Gil de sair da comodidade de seus roteiros bem-sucedidos para Hollywood, porém medíocres, e ingressar na aventura de publicar um romance de qualidade. Sobre isso, li um interessantímo artigo de Calligaris, reproduzido a torto e a direito pela internet. Antes que eu revele demais do filme e ele perca toda a graça, vou apenas falar do óbvio que não se cansa de ser dito: como é linda Paris! Seja nos anos 20 ou 2000, Woody Allen foi um mestre em captar nos melhores ângulos a cidade campeã em turistas da Europa. Suas cafeterias às margens do Sena ganham charme extra quando trespassadas pelo reflexo da luz dos postes retrô nas franjas dos vestidos melindrosos de suas garotas. Resumindo tudo o que foi dito, bons atores, boas locações, boa história. Qualquer semelhança com o modo como os bons filmes eram feitos antigamente não é mera coincidência. Sem mais, fica a dica.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Filme da semana: Dracula de Bram Stoker (1992)





Nesta brilhante adaptação para os cinemas do clássico homônimo da literatura, o diretor Francis Ford Coppola traz às telas a saga do renegado Conde Dracula, o primeiro imortal, personificado por Gary Oldman em atuação imbatível. Trata-se do drama pessoal de um homem amaldiçoado, cuja esposa suicida-se após receber a falsa notícia de que o amado morrera em combate. Desesperado e incrédulo de qualquer bondade divina, Dracula atravessa sua espada na cruz do altar em que a esposa era velada, fazendo jorrar o sangue a que seria condenado a beber para continuar existindo. Imortal contudo em eterna agonia, sua sorte muda quando, quatro séculos depois, encontra nas ruas da Londres Vitoriana aquela que seria a reencarnação de sua esposa, Mina (Winona Ryder versão anos 90), e ganha a chance de viver mais uma vez o amor que lhe fora roubado pelo infortúnio. Resta saber se Mina, de casamento marcado com o insosso Jonathan Harker (Keanu Reeves), aceitará ser amada pelo Conde que lhe provoca estranho fascínio. O curioso sobre o livro que originou o filme, Drácula (1897) , é que o autor irlandês Abraham "Bram" Stoker tenha se inspirado na persona real de Vlad III, Príncipe da Valáquia (região da atual Romênia), para compor a sua história. Embora cercado de fantasia e misticismo, sabe-se que no século XV este era conhecido pelo apelido de Vlad, o Impalador, devido às práticas cruéis com que punia os exércitos inimigos, o que criou a lenda de sua sede por sangue e de que a sua maldade seria imortal. Partindo desse personagem histórico para criar sua ficção, Bram Stoker é cultuado por inaugurar o gênero que mescla o terror e a volúpia para fascinar os seus leitores. E tal atmosfera é reproduzida com intensa fidelidade por Coppola, por meio da apavorante trilha sonora e da belíssima caracterização, que hipnotizam o espectador a ponto de fazê-lo tremer no sofá sem que consiga desviar por um segundo os olhos da tela. Oscar de melhor figurino, efeitos sonoros e maquiagem, indicado a melhor direção de arte, fica a dica de um ótimo thriller inspirado nessa que é uma das mais excitantes lendas do folclore mundial.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Filme da semana: O clube de leitura de Jane Austen


Quando morre o cachorro da solitária Jocelyn (Maria Bello), e ao conhecer a histérica frustração por que passa o casamento da jovem professora colegial Prudie (Emily Blunt), a experiente Bernadette (Kathy Baker) decide montar um clube de leitura para levantar os ânimos de todas, junto às amigas Sylvia (Amy Brenneman), a quem o marido acaba de trocar por uma nova paixão, e a sua bela filha Allegra (Maggie Grace), pega por um novo romance enquanto tenta consolar a mãe. "Sempre Jane Austen o tempo todo", como seria chamado, o clube leva as amigas a refletir seis dos principais romances, entre eles o doce "Orgulho e preconceito" e o estimulante "Razão e sensibilidade", desta autora cujas obras primas são em importância para a literatura inglesa comparáveis às de Shakespeare, e cujos livros são de leitura obrigatória a todo coração romântico que deseja se emocionar com mocinhas que apenas muitos contratempos depois encontram suas verdadeiras paixões, em tramas tecidas com a mais fina ironia ao retratar a sociedade vitoriana. O filme, por seu lado, segue o mesmo estilo; trata-se de uma comédia romântica leve, em que as personagens femininas vêem-se perdidas entre paixões proibidas e desilusões com os compromissos assumidos, mas que, de alguma forma, sabe-se que desde o começo caminham para a solução. O que de forma alguma tira o brilho da história, já que tudo o que queremos é que elas sejam felizes, e se possível, com seu exemplar a tiracolo de Grigg (Hugh Dancy), o nerd sensível e bonitão que, ao se juntar ao grupo, promete tirar Jocelyn do isolamento amoroso em que se enclausurou. Não é do tipo de filme que surpreenda pelo teor da história, mas sim que encanta pela forma como é contada, leve e pessoal, tal qual acontecesse com você ou uma amiga próxima. E a trilha sonora é perfeita para contribuir com o clima intimista dos encontros do clube, pois somos convidados, a cada debate, a opinar sobre a sorte de Marianne (Razão e Sensibilidade), as escolhas de Anne (Persuasão) ou sobre as voltas que dá cada uma daquelas histórias. E não precisa ter lido nenhum destes romances para apreciar o filme: ele fala por si só. Para quem, como eu, gosta da leitura a ponto de transpor o que lê pra própria vida, vai torcer, e por que não, se identificar com as personagens deste suave e apetitoso filme. Por conta dele, e de seu primo ainda mais querido "Orgulho e Preconceito" (2005), verão muitos outros posts com o tag Jane Austen por aqui. Enfim, para todos que quiserem uma diversão despretensiosa, fica a dica.