segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Biutiful (2010)



Não, eu não escrevi errado o título. Bonito, pelo menos nesse filme, é escrito assim mesmo, "biutiful", como se lê. Não que o roteirista não conheça a língua inglesa, mas é que o filme fala de beleza tal qual escreve a palavra, deturpada, ainda que reconhecível. O protagonista Uxbal, cuja interpretação rendeu uma indicação ao Oscar para Javier Bardem, descobre um câncer terminal que lhe deixará vivo por apenas alguns meses. Diante da notícia, ele tenta a todo custo garantir a felicidade de seu casal de filhos, cuja mãe bipolar e alcoólatra transita entre o abandono total da família e a paixão que Uxbal ainda nutre por ela, ao mesmo tempo em que gerencia seu ganha-pão: o tráfico (ilegal) de chineses e africanos para o trabalho nas fábricas e construção civil da Argentina.

O filme é extremamente simbólico, do tipo que fala direto ao inconsciente e nos prende ao paradoxo de saber que gostamos da obra, sem sermos capazes de descrever o porquê; as mensagens que vi neste filme povoaram meus pensamentos por dias a fio. Uxbal possui o dom de conversar com os mortos, por isso conhece como ninguém o que o aguarda do outro lado. Ainda assim, não se vê preparado para partir, de tal maneira está organizada sua vida que todos parecem depender de sua existência: os filhos, a esposa, os chineses e africanos que trafica.


Quando alguns desses estrangeiros são presos vendendo drogas nas ruas, Uxbal acolhe a mulher de um deles, e seu bebê, depositando nela as esperanças sobre o futuro de seus filhos, mas se ela está ao seu lado ou não permanece um mistério. A fronteira entre a vida e a morte é a temática central desta história, ao destrinchar a vida de um homem marginalizado cuja sensibilidade é sua coroa de espinhos e redenção.

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