Ponha Colin Firth (O discurso do rei), Julianne Moore (Minhas mães e meu pai), Nicholas Hoult (Skins) e Tom Ford (dos óculos de sol, perfumes e bolsas) no mesmo balaio. O que sai: um desfile? Uma campanha publicitária? Não mesmo, sai um ótimo filme!
Essa combinação inusitada com que hollywood nos brindou rendeu um drama daqueles, arrebatador. Baseado na obra A single man, de Christopher Isherwood, o filme traz às telas a história de George (Colin Firth), um professor universitário obstinado a suicidar-se antes que termine o dia, pois não encontra mais forças para suportar a falta do companheiro de anos Jim (Matthew Goode), que viu morrer tragicamente no ano anterior. Resignado à solidão silenciosa, ao longo do dia George encontra apoio na melhor amiga Charley (Julianne Moore), que nutre uma intensa paixão por ele, além de inesperada alegria na admiração misturada a desejo que seu aluno Kenny (Nicholas Hoult) ostenta pelo mestre.
A atuação de Colin Firth está arrasadora neste filme. Acostumado a ser recrutado para papéis de bom moço, sempre tímidos e sisudos, Colin surpreendeu ao mostrar uma nova faceta, muito mais sensível e expressiva, seja quando sofre pela perda do amado, seja quando flerta despreocupadamente com o seu tentador aluno. Há uma dor latente no cotidiano de George (Colin), que marginalizado por sua opção sexual em plenos anos 60, briga com sua vontade de recomeçar a vida justo por seu esforço em tentar suprimir a dor a todo custo, enquanto assiste a sociedade negar até o seu direito ao luto. Em meio a tanta carga emocional, Colin se mostrou brilhante ao retratar com suavidade a vida deste professor dividido entre a dor que não mais suporta e os sopros de alegrias que a vida insiste em lhe dar.
O direito de amar é um filme bonito não somente pela sensibilidade da história, mas em muitos aspectos. Vindo direto do mundo da moda, Tom Ford fez questão de retratar os anos 60 com a máxima expressividade estética, com figurinos de fazer inveja a Balenciaga e Saint Laurent em sua fase áurea. Em muitas cenas, o estilista aliou o plano de fundo ao figurino dos atores, manejando suas posturas de forma a produzir quase um ensaio fotográfico, visualmente belo e de qualidade impressionante.
Outra atuação marcante foi da sempre penetrante Julianne Moore, na pele de Charley, a melhor amiga de George (Firth) cuja vida frustrada a faz pensar que a paixão que nutre por ele é o único sentimento válido que ainda possui. Se George é o contraponto ao estereótipo do homossexual de trejeitos exagerados, Charley ( Julianne Moore) é oposto a dona-de-casa feliz e perfeita, uma imagem tão difundida nos anos 60 para justificar culturalmente a submissão feminina. Bonita e rica, Charley padece da mesma solidão que o amigo, sem a justificativa de que sua família esteja fisicamente falecida.
Mas um ator que rouba a cena definitivamente é Nicholas Hoult, o talentoso Tom da séria britânica Skins. Na pele de Kenny, um aluno cuja admiração pelo carisma do professor George transborda, ele tentará dissuadir o mestre da idéia de viver apenas em angústia, arrebatando George com a audácia e a jovialidade que ele conheceu um dia no amante perdido.
São muitos os motivos que fazem de O direito de amar um filme que mereça ser visto. Principalmente porque a beleza de amar e a dor da perda são duas coisas de que ninguém pode (nem deve) fugir, seja nos EUA dos anos dourados ou aqui e agora.







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