
Quando morre o cachorro da solitária Jocelyn (Maria Bello), e ao conhecer a histérica frustração por que passa o casamento da jovem professora colegial Prudie (Emily Blunt), a experiente Bernadette (Kathy Baker) decide montar um clube de leitura para levantar os ânimos de todas, junto às amigas Sylvia (Amy Brenneman), a quem o marido acaba de trocar por uma nova paixão, e a sua bela filha Allegra (Maggie Grace), pega por um novo romance enquanto tenta consolar a mãe. "Sempre Jane Austen o tempo todo", como seria chamado, o clube leva as amigas a refletir seis dos principais romances, entre eles o doce "Orgulho e preconceito" e o estimulante "Razão e sensibilidade", desta autora cujas obras primas são em importância para a literatura inglesa comparáveis às de Shakespeare, e cujos livros são de leitura obrigatória a todo coração romântico que deseja se emocionar com mocinhas que apenas muitos contratempos depois encontram suas verdadeiras paixões, em tramas tecidas com a mais fina ironia ao retratar a sociedade vitoriana. O filme, por seu lado, segue o mesmo estilo; trata-se de uma comédia romântica leve, em que as personagens femininas vêem-se perdidas entre paixões proibidas e desilusões com os compromissos assumidos, mas que, de alguma forma, sabe-se que desde o começo caminham para a solução. O que de forma alguma tira o brilho da história, já que tudo o que queremos é que elas sejam felizes, e se possível, com seu exemplar a tiracolo de Grigg (Hugh Dancy), o nerd sensível e bonitão que, ao se juntar ao grupo, promete tirar Jocelyn do isolamento amoroso em que se enclausurou. Não é do tipo de filme que
surpreenda pelo teor da história, mas sim que encanta pela forma como é contada, leve e pessoal, tal qual acontecesse com você ou uma amiga próxima. E a trilha sonora é perfeita para contribuir com o clima intimista dos encontros do clube, pois somos convidados, a cada debate, a opinar sobre a sorte de Marianne (Razão e Sensibilidade), as escolhas de Anne (Persuasão) ou sobre as voltas que dá cada uma daquelas histórias. E não precisa ter lido nenhum destes romances para apreciar o filme: ele fala por si só. Para quem, como eu, gosta da leitura a ponto de transpor o que lê pra própria vida, vai torcer, e por que não, se identificar com as personagens deste suave e apetitoso filme. Por conta dele, e de seu primo ainda mais querido "Orgulho e Preconceito" (2005), verão muitos outros posts com o tag Jane Austen por aqui. Enfim, para todos que quiserem uma diversão despretensiosa, fica a dica.
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