quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Filme da semana: Dracula de Bram Stoker (1992)





Nesta brilhante adaptação para os cinemas do clássico homônimo da literatura, o diretor Francis Ford Coppola traz às telas a saga do renegado Conde Dracula, o primeiro imortal, personificado por Gary Oldman em atuação imbatível. Trata-se do drama pessoal de um homem amaldiçoado, cuja esposa suicida-se após receber a falsa notícia de que o amado morrera em combate. Desesperado e incrédulo de qualquer bondade divina, Dracula atravessa sua espada na cruz do altar em que a esposa era velada, fazendo jorrar o sangue a que seria condenado a beber para continuar existindo. Imortal contudo em eterna agonia, sua sorte muda quando, quatro séculos depois, encontra nas ruas da Londres Vitoriana aquela que seria a reencarnação de sua esposa, Mina (Winona Ryder versão anos 90), e ganha a chance de viver mais uma vez o amor que lhe fora roubado pelo infortúnio. Resta saber se Mina, de casamento marcado com o insosso Jonathan Harker (Keanu Reeves), aceitará ser amada pelo Conde que lhe provoca estranho fascínio. O curioso sobre o livro que originou o filme, Drácula (1897) , é que o autor irlandês Abraham "Bram" Stoker tenha se inspirado na persona real de Vlad III, Príncipe da Valáquia (região da atual Romênia), para compor a sua história. Embora cercado de fantasia e misticismo, sabe-se que no século XV este era conhecido pelo apelido de Vlad, o Impalador, devido às práticas cruéis com que punia os exércitos inimigos, o que criou a lenda de sua sede por sangue e de que a sua maldade seria imortal. Partindo desse personagem histórico para criar sua ficção, Bram Stoker é cultuado por inaugurar o gênero que mescla o terror e a volúpia para fascinar os seus leitores. E tal atmosfera é reproduzida com intensa fidelidade por Coppola, por meio da apavorante trilha sonora e da belíssima caracterização, que hipnotizam o espectador a ponto de fazê-lo tremer no sofá sem que consiga desviar por um segundo os olhos da tela. Oscar de melhor figurino, efeitos sonoros e maquiagem, indicado a melhor direção de arte, fica a dica de um ótimo thriller inspirado nessa que é uma das mais excitantes lendas do folclore mundial.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Filme da semana: O clube de leitura de Jane Austen


Quando morre o cachorro da solitária Jocelyn (Maria Bello), e ao conhecer a histérica frustração por que passa o casamento da jovem professora colegial Prudie (Emily Blunt), a experiente Bernadette (Kathy Baker) decide montar um clube de leitura para levantar os ânimos de todas, junto às amigas Sylvia (Amy Brenneman), a quem o marido acaba de trocar por uma nova paixão, e a sua bela filha Allegra (Maggie Grace), pega por um novo romance enquanto tenta consolar a mãe. "Sempre Jane Austen o tempo todo", como seria chamado, o clube leva as amigas a refletir seis dos principais romances, entre eles o doce "Orgulho e preconceito" e o estimulante "Razão e sensibilidade", desta autora cujas obras primas são em importância para a literatura inglesa comparáveis às de Shakespeare, e cujos livros são de leitura obrigatória a todo coração romântico que deseja se emocionar com mocinhas que apenas muitos contratempos depois encontram suas verdadeiras paixões, em tramas tecidas com a mais fina ironia ao retratar a sociedade vitoriana. O filme, por seu lado, segue o mesmo estilo; trata-se de uma comédia romântica leve, em que as personagens femininas vêem-se perdidas entre paixões proibidas e desilusões com os compromissos assumidos, mas que, de alguma forma, sabe-se que desde o começo caminham para a solução. O que de forma alguma tira o brilho da história, já que tudo o que queremos é que elas sejam felizes, e se possível, com seu exemplar a tiracolo de Grigg (Hugh Dancy), o nerd sensível e bonitão que, ao se juntar ao grupo, promete tirar Jocelyn do isolamento amoroso em que se enclausurou. Não é do tipo de filme que surpreenda pelo teor da história, mas sim que encanta pela forma como é contada, leve e pessoal, tal qual acontecesse com você ou uma amiga próxima. E a trilha sonora é perfeita para contribuir com o clima intimista dos encontros do clube, pois somos convidados, a cada debate, a opinar sobre a sorte de Marianne (Razão e Sensibilidade), as escolhas de Anne (Persuasão) ou sobre as voltas que dá cada uma daquelas histórias. E não precisa ter lido nenhum destes romances para apreciar o filme: ele fala por si só. Para quem, como eu, gosta da leitura a ponto de transpor o que lê pra própria vida, vai torcer, e por que não, se identificar com as personagens deste suave e apetitoso filme. Por conta dele, e de seu primo ainda mais querido "Orgulho e Preconceito" (2005), verão muitos outros posts com o tag Jane Austen por aqui. Enfim, para todos que quiserem uma diversão despretensiosa, fica a dica.